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05 janeiro 2011

Caminhada Vespertina pela Nova Luz


Nesta quinta-feira (6/01), a partir das 17 horas, o Espaço Projeto Nova Luz promove um passeio cultural gratuito com roteiro especial pela região da Nova Luz. O percurso de duas horas pela região central de São Paulo terá como ponto de partida a Rua General Couto de Magalhães, 381 (sede do Espaço), e seguirá pelas ruas circundadas pelas avenidas Ipiranga, São João, Duque de Caxias, rua Mauá e avenida Cásper Libero.
 
Ao longo da caminhada, o arquiteto Rodrigo Azevedo mostrará os pontos e edificações que compõem este importante cenário da capital paulista e abordará os principais aspectos históricos da área. “Essa é uma grande oportunidade para moradores da cidade e visitantes conhecerem a Nova Luz de hoje e conhecer os aspectos fundamentais desse processo de melhorias sugerido para o local”, comenta Azevedo.

Na parada final, retornando ao Espaço Projeto Nova Luz, todos os participantes serão recepcionados por representantes da equipe que trabalha no desenvolvimento do projeto de requalificação urbana da região da Nova Luz e poderão conhecer as propostas previstas para a área.

Quando: 6/janeiro -  5a feira, das 16h30 às 19 horas
Local de partida e chegada: Espaço Projeto Nova Luz – Rua General Couto de Magalhães, 381 (Nova Luz)
Classificação etária: livre
Inscrições: no próprio Espaço Projeto Nova Luz ou pelo telefone (11) 3222-0737 (falar com Luciana).
Grátis

Esta notícia foi encaminhada pela voluntária Cláudia França.

18 dezembro 2010

O primeiro Natal de LUZ

Sem crack, sem drogas. Criança feliz é criança saudável.

O Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, ao pensar em fazer o 1o Natal de LUZ da "Cracolândia" ou "Nova Luz", foi com o intuito de que as crianças e adolescentes que vivem e moram nessa região consigam, através do esporte e da cultura, ficar longe das drogas por um bom período até que consigam se livrar efetivamente. 

Sabemos que isso não é fácil, mas com a ajuda de Deus, em primeiro lugar, e da comunidade, seremos capazes de dar um futuro brilhante para todas essas crianças e adolescentes dessa região e adjacências. 

Esperamos todos vocês, para esta grande festa de resgate social e da cidadania do futuro deste nosso Brasil maravilhoso e soberano.


Data: 20/dezembro - 2a feira
Local: Praça Princesa Isabel
Horário: 9 ~ 18h.


                                   Sou a vítima da falta de educação

                                              Autor: Robson César Correia de Mendonça
                                   Sou um pobre ser humano
                                   Nascido talvez por engano
                                   Para a vida decifrar,
                                   Não a levo muito a sério,
                                   Nem desvendo o mistério
                                   Apenas tento acertar.
                                   Embora nem sempre acerte
                                   Um papel que a vida inverte
                                   E a palmatória da lei
                                   Paira sobre minha cabeça
                                   Todos batem se mim esqueço
                                   De fazer o que não sei.
                                   Ando tateando a vida,
                                   Com a alma ressentida, 
                                   E não gosto de ferir,
                                   Nem que se abram as feridas,
                                   Sangrentas e doloridas
                                   Sou obrigadao a fingir.
                                   E se mim canso da luta
                                   Uma vida de disputa
                                   E me entrego ao vício vão,
                                   Não tenho tato nem lógica
                                   Uma bengala psicológica
                                   Vício da resignação.
                                   Minha doce Mãe querida
                                   Tesouro da minha vida
                                   Quanto desgosto te dei.
                                   Desculpe se sou errado
                                   É que não fui educado,
                                   Quando mais necessitei.

Convite e texto acima encaminhados pelo Movimento Estadual da Pessoa em Situação de Rua do Estado de São Paulo.

23 novembro 2010

Novo site projeto Nova Luz

Está no ar o site reformulado do Projeto Nova Luz:

Nele é possível encontrar as informações mais atualizadas, mapa da área de abrangência, depoimentos de figuras locais, além de poder enviar sugestões para o projeto através do "Fale conosco". 

15 novembro 2010

"Luz, Câmera e Ação: Nova Luz em foco"

Exposição de fotos tiradas por moradores do bairro inaugurou o Espaço do Projeto Nova Luz no último dia 6, na Rua General de Couto Magalhães, 381.

A exposição "Luz, Câmera e Ação: Nova Luz em foco" ocorre até 20 de Novembro de 2010, das 9h às 17h.

Já o Espaço do Projeto Nova Luz funcionará como centro de informações à população que queira esclarecer dúvidas sobre o projeto.

O projeto abrange o perímetro entre avenidas Ipiranga, São João, Duque de Caxias, Cásper Líbero e Rua Mauá

Leia mais em:

21 junho 2010

Andamento projeto Nova Luz

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Projeto da Nova Luz deve ser entregue em 10 meses

Kassab assinou hoje ordem de serviço para início dos trabalhos de revitalização da cracolândia

17 de junho de 2010 | 16h 37
estadão.com.br
SÃO PAULO - O prefeito Gilberto Kassab anunciou na manhã desta quinta-feira, 17, que o projeto arquitetônico e urbanístico da Nova Luz deve ser entregue em 10 meses. O anúncio foi feito depois que o prefeito assinou o contrato e a ordem de serviço que autorizam o início dos trabalhos.
Hélvio Romero/AE

Hélvio Romero/AE
Região conhecida como cracolândia deve mudar

O acordo firmado entre a Prefeitura e os representantes do consórcio formado por Concremat Engenharia, Companhia City, AECOM Technology Corporation e Fundação Getúlio Vargas foi acompanhado pelo governador Alberto Goldman e pelo presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles.
Kassab comemorou a conclusão da primeira fase do projeto. "É um momento muito importante. Finalmente conseguimos concluir essa primeira etapa. Esse é um projeto acalentado pela cidade de São Paulo, que ganhará essa região revitalizada. Após seis anos de um trabalho árduo, temos a alegria de festejar esse momento", disse o prefeito.

Até outubro deste ano, o consórcio, em parceria com a Prefeitura, apresentará um pré-projeto. A ideia será colocada à disposição da comunidade paulistana, que poderá sugerir mudanças e soluções durante o período de dois meses.

"Temos esse desafio de compartilhar com a sociedade a melhor forma de apresentar esse grande plano", afirmou Mauro Ribeiro Viegas Filho, presidente da Concremat e representante do consórcio vencedor da Nova Luz.

Após a análise pública, o grupo de trabalho terá até abril de 2011 para apresentar o projeto consolidado. "A partir daí, poderemos fazer a licitação para a concessão urbanística. É possível que em 2011 já tenhamos obras nesta região", declarou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.
Após a apresentação do plano arquitetônico e urbanístico, será aberta uma licitação para eleger quais empresas farão as obras. "Dentro de um ano, esperamos festejar mais uma etapa - desta vez, para a execução do projeto", apontou Kassab.

Expectativa. A área da Nova Luz possui um perímetro de cerca de 500 mil metros quadrados e forma um polígono entre as avenidas Ipiranga, São João, Duque de Caxias e ruas Mauá e Cásper Libero. Ela será totalmente revitalizada, adequando a região ao futuro.

Henrique Meirelles elogiou a iniciativa da Prefeitura. "Vejo com muita expectativa e otimismo a revitalização do Centro de São Paulo. É talvez a obra mais importante na cidade. Com certeza, a capital está dando um passo adiante", comentou Meirelles.

Na opinião do governador Alberto Goldman, todas as instituições culturais da região da Nova Luz serão beneficiadas com a revitalização. "Essa região é extremamente importante. É o maior pólo cultural da América Latina. Grande parte dos serviços de cultura está localizada aqui, como o Museu da Língua Portuguesa, a Sala São Paulo, a Pinacoteca do Estado, entre outros."

Kassab concordou com Goldman e ressaltou: "O objetivo é a recuperação e a integração com os equipamentos culturais. Também há a intenção de trazer moradias para essa região. Em pouco tempo, teremos mais pessoas trabalhando e morando por aqui. Queremos que a Nova Luz tenha moradias e gere empregos para a cidade", finalizou o prefeito.

11 maio 2010

No Estadão Online

Empresa que preparou Londres para Olimpíadas de 2012 vai assumir plano para cracolândia

11 de maio de 2010 | 17h 03
Eduardo Roberto e Gabriel Pinheiro, do estadão.com.br

SÃO PAULO - A última etapa da escolha do consórcio que irá assumir a tarefa de revitalizar a região da cracolândia terminou nesta terça-feira, 11, com a vitória da Companhia City, que inclui as empresas Concremat, Aecom e FGV. A informação foi confirmada pelo Secretário de Desenvolvimento Urbano de São Paulo, Miguel Bucalem, durante entrevista à TV Estadão nesta tarde.
No País desde 1912, a companhia de origem inglesa foi responsável pelo plano diretor de Londres para as Olimpíadas de 2012 e revitalizou bairros como o Jardim América e Pacaembu.
A licitação da Nova Luz ocorreu de forma diferente. Em vez escolher um projeto, o processo público optou pelo grupo considerado mais habilitado a propor as mudanças na região. O plano prevê uma concessão urbanística - que permite, inclusive, desapropriações bancadas pela iniciativa privada na área -, mas preservando o patrimônio histórico e garantindo a construção de moradias populares.
Segundo o secretário, o projeto final deverá contemplar 50 diretrizes que já foram estabelecidas pela Prefeitura, que promete acompanhar os trabalhos de perto, com reuniões quinzenais com as empresas.

Consulta pública
O cronograma apresentado propõe um prazo de 10 meses para a apresentação do projeto final. Durante os primeiros 4 meses, o consórcio desenvolverá o plano juntamente com a Prefeitura. Após esse período, uma versão preliminar será divulgada e será alvo de consulta pública durante dois meses.
"A participação da sociedade civil, das pessoas que moram e trabalham na área e de especialistas estará garantida", afirmou Bucalem.
Ao final da consulta, o consórcio terá outros 4 meses para finalizar o projeto. Finalmente, haverá nova licitação para escolher as empresas que executarão o plano. "A partir desse projeto haverá uma visão de transformação da área", disse o secretário.

10 fevereiro 2010

Saiu na FOLHAONLINE

04/02/2010 - 13h53, http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u689325.shtml

Kassab anuncia moradia para artistas; projeto cria 2.500 residências no centro

JULIANNA GRANJEIA
Colaboração para a Folha Online
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), anunciou na manhã desta quinta-feira a destinação de um prédio na avenida São João para a moradia de artistas com baixa renda. A medida faz parte do Programa de Habitação e Requalificação do Centro - Renova Centro, que irá desapropriar 53 prédios na região central da cidade para a criação de cerca de 2.500 unidades habitacionais.
O antigo hotel Cineasta será reformado, e seus 58 apartamentos serão comercializados por meio de locação subsidiada pela Prefeitura de São Paulo.
A atriz Nicete Bruno compareceu ao evento, representando o Sated (Sindicato dos Artistas e Trabalhadores em Espetáculos de Diversão). Ela afirmou que o local é uma reivindicação antiga da classe. "É a oportunidade de criar em São Paulo aquilo que há tanto tempo nos desgostava. Irá abrigar artistas que não trabalham mais individualmente, mas ainda têm possibilidades de fazer um trabalho coletivo com jovens", disse Nicete.
Kassab afirmou que, caso o número de artistas interessados na moradia ultrapasse o número de unidades destinadas no prédio do hotel, outro edifício deve entrar no programa. "Queremos trazer os artistas de volta ao centro de São Paulo", disse o prefeito.
Renova Centro
Dos 53 decretos necessários para as desapropriações, dez já foram publicados em "Diário Oficial" e 43 serão publicados na edição desta sexta-feira (5). Os locais exatos dos prédios que serão desapropriados e reformados para moradia ainda não foram informados para evitar a invasão dos imóveis. De acordo com a legislação, a desapropriação só pode ser realizada em edifícios vazios.
Segundo Ricardo Pereira Leite, presidente da Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação), o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), feito no ano 2000, revelou que São Paulo tinha cerca de 400 mil imóveis desocupados.
O estudo feito pelo governo para a realização do projeto mostra que as regiões mais habitadas na cidade são diferentes das regiões que oferecem emprego. "Na República, por exemplo, existe quatro empregos para cada habitante, enquanto que na Cidade Tiradentes tem 0,01 vaga de emprego para cada pessoa. São cerca de 300 mil viagens diárias de outras regiões de São Paulo para a Sé", afirmou Leite.
Entre 1991 a 2009, 150 mil moradores deixaram o centro de São Paulo, segundo o presidente. "Trazer moradores de volta para o centro pode reduzir em 7.000 viagens de ônibus, metrô e trem por dia", explicou Leite.
O Renova Centro foi elaborado em parceria com a FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP (Universidade de São Paulo) e abrange o Parque Dom Pedro 2º, Vale do Anhangabaú e a região da cracolândia, rebatizada pelo governo de Nova Luz.
O professor de arquitetura da FAU Paulo Bruna explicou, na manhã desta quinta, que o edifício Riachuelo, reformado no ano passado, é referência para o método de requalificação que será usado nos prédios desapropriados.
A reforma dos imóveis deve durar entre três e cinco anos. Os apartamentos terão entre 30 e 60 metros quadrados. As unidades serão alugadas, por meio de locação social (subsidiada pela prefeitura) e vendidas. A Caixa Econômica Federal fará o financiamento das unidades. Também existe a possibilidade de alguns imóveis entrarem do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.
O investimento estimado nas reformas é de aproximadamente R$ 400 milhões, que devem ser provenientes da própria Prefeitura de São Paulo e da Caixa Econômica Federal.
_______________________ 
Artigo encaminhado pela Beatriz

Saiu na FOLHAONLINE

03/02/2010 - 14h22, http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u688735.shtml

Prefeitura desapropria 53 prédios para construção de moradias no centro de SP

da Folha Online
A Prefeitura de São Paulo informou nesta quarta-feira que 53 prédios serão desapropriados na região central da cidade para a construção de cerca de 2.500 unidades habitacionais. A medida faz parte do Programa de Habitação e Requalificação do Centro - Renova Centro.
De acordo com a prefeitura, o decreto de desapropriação será assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) nesta quinta (4), e a publicação no "Diário Oficial" deve acontece no dia seguinte. Apesar disso, os locais exatos dos prédios que serão desapropriados não foram informados pela Secretaria Municipal de Habitação.
Os imóveis desapropriados devem passar por reforma e serão entregues como moradias para famílias que necessitam, a partir de 2013. Mas antes disso, ainda deve acontecer o processo de licitação e a aprovação do projeto. Ao todo, serão construídos 2.500 apartamento com tamanhos entre 30 m² e 65 m².
A Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação) informou que ainda procura outros imóveis desocupados na região central para atingir a meta de construir 3.000 unidades habitacionais.
O investimento estimado nas reformas é de aproximadamente R$ 400 milhões, que devem ser provenientes da própria Prefeitura de São Paulo e da Caixa Econômica Federal.
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Artigo encaminhado pela Beatriz

Saiu no Jornal da Tarde

Cracolândia 15 anos de promessa

http://txt.jt.com.br/editorias/2010/02/07/ger-1.94.4.20100207.18.1.xml
Domingo, 7 fevereiro de 2010



Cracolândia, 24 anos de problemas e 15 anos de promessas


Elvis Pereira, elvis.pereira@grupoestado.com.br

“Temos que preparar a contraofensiva agora que estamos informados sobre o que vem por aí.” O alerta foi dado em 1988 pelo então delegado Naief Saad Neto (que morreu em 2007), após ouvir de um traficante detalhes sobre a chegada do crack à capital paulista. Os anos se passaram e as apreensões que antes se resumiam a gramas se converteram em quilos. O subproduto da cocaína conquistou um território próprio: a cracolândia, um punhado de ruas no centro onde viciados de todas as idades e classes sociais aglomeram-se e acendem cachimbos diversas vezes ao dia para sentir o curto e intenso “barato” da “pedra”. Um ritual que, na opinião de quem tentou enfrentá-lo na última década, não tem previsão para acabar.

A trajetória do crack em São Paulo está ligada sobretudo ao centro. A primeira apreensão da qual se tem notícia na capital data de 1986. O então Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) flagrou um homem com 100 gramas da droga na Rua Major Sertório, na Vila Buarque. A companheira dele tinha 600 gramas em um apartamento na Alameda Barão de Limeira.

Ambos se declaram “mulas”: terem sido contratados para transportar a encomenda de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, sem saber do que se tratava. A Justiça absolveu o casal. Dois anos depois, reportagem diz que um traficante revelou ao Deic que a droga era inserida facilmente por meio da rota entre Corumbá e a cidade de Porto Suárez, na Bolívia.

Em 1991, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) recolheu pela primeira vez a pedra no quadrilátero formado pelas avenidas Duque de Caxias, Rio Branco, Ipiranga e Cásper Líbero. Naquele ano, o total de droga recolhida na cidade foi de 150 gramas. Dali em diante, o tráfico enraizou-se, instalando laboratórios de refino da droga em hotéis. Traficantes aliciavam crianças para distribuí-las no centro. Em 1992, reportagens já mencionavam que a Boca do Lixo, entre as ruas Vitória e do Triunfo, dera lugar à cracolândia.

Em 1995, o governador do Estado, Mário Covas (PSDB), morto em 2001, ordenou a criação de uma delegacia para investigar o crack. Foi a primeira ação prometida pelo Poder Executivo.

Os esforços das polícias Civil e Militar se tornaram cada vez mais frequentes. De 1997 para cá, houve em média pelo menos uma operação por ano na cracolândia, geralmente após reportagens sobre o local. Centenas de pessoas foram presas, entre fornecedores, distribuidores e usuários. Entre eles duas mulheres apontadas pela polícia como “rainhas do crack”, além de um “rei”. Pelo menos dois usuários de drogas foram assassinados ali. Um deles fora queimado por um traficante por não pagar a compra do crack. Por mais de 80 vezes a Prefeitura interditou hotéis, pensões e cortiços em situação irregular.

“O problema ali não é especificamente de segurança pública. Ele é por um lado de saúde e de outro de intervenção urbana”, afirmou o procurador de Justiça Marco Petreluzzi, secretário de Segurança Pública do Estado entre 1999 e 2002 (governos Covas e Geraldo Alckmin). Ao assumir, ele anunciara a meta de erradicar o crack em quatro anos. “No meu tempo, nunca tive a ilusão de que resolveria o problema com a polícia”, avalia o procurador hoje. “Mexer com droga é enxugar gelo.Enquanto houver consumidor vai haver traficante”, afirma.

Ao se tornar prefeita, em 2001, Marta Suplicy (PT) prometeu recuperar o centro. “Durante a minha gestão, tinha clareza que se fosse lidar só com aquela área iria levá-la para outros locais do centro, sem resolver o problema.”

“Acho que as ações da minha gestão começaram a surtir efeito, mas não são os de colocar na primeira página do jornal”, defende, citando a mudança da sede da Prefeitura, a tentativa de atrair moradores para o centro e ações para melhorar a iluminação e limpeza da área atualmente conhecida como Nova Luz. A seu ver, a presença de dependentes do crack na região dificilmente pode ser erradicada. “Não é fácil. Lembro que custava caro e nem sempre com resultados”, afirma Marta.

Em 2005, ao se tornar subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo seguiu as determinações do então prefeito José Serra (PSDB) para mudar a cracolândia. “Ela melhorou muito em relação ao que era, mas tem um longo caminho. Desde o início, eu imaginava que o processo de revitalização era de pelo menos 10 anos.” Para ele, um dos principais pontos para resgatar o espaço é tratar os dependentes químicos. “Não é porque você urbanizou que os usuários de crack vão deixar de existir. Aquela população precisa de tratamento, de internação.”

CRONOLOGIA

1985
A Polícia Civil apreende o crack pela primeira vez em São Paulo. Inicialmente, um homem é flagrado com 100 gramas da droga numa caminhonete na Rua Major Sertório, na Vila Buarque. Perto dali, no apartamento da companheira dele, na Alameda Barão de Limeira, havia mais 600 gramas. O casal afirmou ter sido contratado para trazer a droga de Corumbá (MS). Trata-se da primeira apreensão da qual se tem notícia.

1988
Um traficante preso em São Paulo revela que o crack entra no Brasil pela fronteira com a Bolívia. A rota consistia no trecho entre as cidade de Puerto Suárez, na Bolívia, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Aqui, as bases de distribuição seriam instaladas em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde a droga seria chamada de “bazuca”. À época, o quilo do crack era estimado em US$ 900, ante US$ 1,1 mil do da cocaína.

1991
O crack segue se espalhando pelo País, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, por meio do ‘tráfico formiga’, no qual a droga é transportada em pouca quantidade por várias pessoas. No Rio, a polícia detém em setembro uma corretora de imóveis de 39 anos com 370 gramas da droga. Ela negociava o crack, havia três meses, em boates de Copacabana e do Baixo Leblon. Foi uma das maiores apreensões da época.

1992
O quadrilátero formado pelas Avenidas Rio Branco, Ipiranga, Duque de Caxias e Cásper Líbero, até então conhecido como Boca do Lixo, em razão da presença de prostitutas, torna-se também conhecido como cracolândia. A primeira apreensão de crack na região, efetuada pelo Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), ocorrera um ano antes. A droga estava com uma garota de programa.

1994
Rapazes com carros novos circulam pelas ruas da cracolândia em busca do crack. À época, 70% das pedras consumidas eram preparadas nos hotéis da região. “Temos uma quantidade incrível de traficantes presos e usuários de drogas nessa área”, disse, durante uma operação, o delegado George Henry Millard, então diretor do Denarc. Policiais avaliam que a fiscalização dos hotéis contribuiria para combater o tráfico.

1995
Estatísticas do Denarc indicam que, em quatro anos, o número de usuários de crack cresceu 60%. A maioria dos dependentes atendidos na Divisão de Prevenção e Educação do Denarc tem entre 15 e 25 anos. Outro levantamento da polícia indica que 90% das 181 mortes violentas de menores, no ano anterior, estavam relacionadas ao crack. Foram assassinados por dívidas ou brigas.

2003
Após cinco meses, o Denarc remove uma base instalada no Largo General Osório e o consumo do crack volta a acontecer livremente. Na madrugada, dezenas de usuários ocupam as ruas dos Timbiras, dos Protestantes e dos Gusmões. Fumar a pedra em hotéis custa R$ 10, por um período de duas horas. De dia, os traficantes atuam num posto de gasolina desativado entre as Ruas Mauá e dos Protestantes.

2007
Como parte do projeto de revitalização da chamada Nova Luz, é demolida a loja situada no número 381 da Rua General Couto de Magalhães. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) anuncia o nome de 23 empresas dos setores de tecnologia, call center, cultura e publicidade interessadas em se instalar na região. Algumas contradizem o anúncio. A IBM informa que está em negociação. A Microsoft afirma que a informação não procede.

2008
Três anos depois do lançamento, o projeto Nova Luz ainda engatinha. Somente duas das 23 empresas anunciadas no ano anterior pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se mudam para a região. Apesar dos incentivos fiscais, as demais permanecem cautelosas sobre o futuro da cracolândia. A sede da Guarda Civil Metropolitana é transferida para um prédio na Rua General Couto de Magalhães.